Carta aos brasileiros

O Brasil tem tantas coisas boas que oferecer.

Ninguém pode ignorar que as políticas aplicadas no Brasil durante os vários governos nem sempre ajudaram realmente para valorizar (duravelmente) essas coisas boas.

Os governos parecem perder-se entre os interesses divergentes dos vários grupos da população.

Falta uma política baseada nos valores humanos para “fazer funcionar o Brasil para todos”.

Danellândia,

Estimadas brasileiras,
Estimados brasileiros,

Grande projeto de limpeza para um grande país

Vendo o que se passa no país que considero um pouco como uma segunda pátria, sinto dor e inquietude.

Em 1987 conheci os meus melhores amigos brasileiros, um casal que estava visitando a Europa. Foi um pouco estranho porque já depois de pouco tempo tivemos a impressão de nos conhecermos já desde muito tempo. Tivemos muitos interesses em comum. Foi o começo duma amizade que continua até hoje. A distância geográfica é grande, mas não é obstáculo.

Em 1988 fui ao Brasil pela primeira vez. Uma viagem que nunca mais esqueci. Não esqueço que os meus amigos com os seus filhos ainda muito pequenos tinham viajado quase 100 km para acolher-me no aeroporto de Guarulhos, onde cheguei às 5 da manhã.

Nessa primeira visita ao Brasil combinei atividades profissionais (feiras comerciais, visitas a empresas, apresentações em empresas) com um circuito turístico por diferentes lugares. Acompanhou-me o cunhado dos meus amigos. Visitamos cidades como Manaus, Fortaleza, Recife, Olinda, Salvador, Rio de Janeiro e Iguaçu. Até hoje, lembro-me da beleza dos lugares e da Natureza espetacular, dos encontros e conversas com uma grande variedade de pessoas.

Naquela época, eu ainda não falava português fluentemente ou com sotaque brasileiro – aprendi o português com um professor de Lisboa. Mas mesmo assim, a comunicação não foi problema. Foi fácil conversar com os brasileiros e brasileiras. Tiveram muita paciência comigo. Fiz novas amizades que ainda hoje tenho.

Depois dessa primeira viagem em 1988 seguiram muitas outras ao Brasil, sobre tudo para atividades comerciais. Mas sempre, se puder, visitei os meus amigos.

Na nossa empresa recebíamos regularmente grupos de empresários brasileiros e também de estudantes (geralmente em comércio internacional). Acompanhei-os durante as visitas e encontros. Lembro-me também dum seminário que organizamos para exportadores brasileiros e importadores europeus. Gostaram muito e nós também. No último dia fui ao hotel para despedir-me delas e deles. Estávamos no parking do hotel. Todas e todos abraçaram-me e não faltaram algumas lágrimas. Saíram em ônibus para outro destino. Não esqueço a reação dos europeus que tinham visto a despedida no hotel. Miraram-me como se eu fosse de outro planeta… Sim, nós somos em geral mais “fechados”.

O Brasil é fantástico

Sim, o país tem tanto que oferecer: a Natureza, a extensão territorial, a sua gente que na sua grande maioria é acolhedora e amigável. Conheci tantas brasileiras e brasileiros e gostei muito de estar na sua companhia. Na nossa empresa, os meus colegas também gostavam quando tínhamos visitas de brasileiros.

A última viagem de trabalho ao Brasil foi em 2003. Foi a última porque uns meses depois tive um grave incidente que me deixou “fora de serviço” durante vários anos. Perdi grande parte da minha memória (inclusive as línguas estrangeiras que falava). Demorou para me recuperar.

Amigos na primeira fila

Tive um colapso cerebral: o meu cérebro bloqueou o acesso a certas partes da minha memória para reduzir a atividade cerebral e trazer mais calma. Foi algo estranho: porque o Brasil estava na primeira fila para assim dizer. Antes do colapso vi como um filme mental a uma grande velocidade. Foi uma história “compactada” da Humanidade com todos os conflitos em muitas partes do mundo: guerras, conflitos religiosos, violência, pobreza, crimes…. 

No final do filme, a Humanidade quis saber o porquê de tudo. Fui empurrado por uma grande massa de gente. Gritavam “empurre, empurre…”. Eu estava com medo, mas não podia resistir à força da massa. E, sim, na primeira fila, estavam os meus amigos brasileiros para me confortar. A massa de gente empurrava-me até um limite que ninguém tinha ultrapassado. Passei o limite e num flash, vi algo incrível… “Voltei” para entre a massa de gente. O filme mental terminou e tive o colapso cerebral. No começo, sentia-me como aligeirado e feliz, mas estranho. Como não sabíamos o que estava acontecendo comigo, chamamos um médico. Não sabia explicar também não. Reagi mal aos medicamentos que me deram e fiquei doente… A recuperação foi lenta e só começou dois anos depois e com medicina alternativa.

Com a recuperação também voltava aos poucos a memória. As línguas voltaram. E durante muitas noites revi também partes do filme mental. Agora com mais calma e mais claridade. As imagens do filme acompanharam-se de inspirações. Anotei-as. Algumas palavras nas notas estavam em outra língua e tinha que procurar o significado depois. As inspirações tratavam dos problemas que enfrenta a Humanidade e, ao mesmo tempo, das possíveis soluções.

Essas inspirações e o filme mental foram a base dum projeto sobre os valores humanos ou a paz, chamado Danellândia, o mundo dos valores reais ou o mundo da Paz (www.danellandia.org).

O Brasil e o mundo estão divididos cada vez mais

Uma das coisas que teve maior impacto em mim quando visitei o Brasil pela primeira vez, eram os grandes contrastes entre ricos e pobres. Na Europa não eram tão grandes, mas ultimamente a situação está piorando.

Lembro-me do Padre Félix que conheci na Europa e que fui visitar no Brasil em 1988. Acompanhou-nos numa visita a uma favela, onde ele trabalhava. Falei com algumas crianças da favela. Uns dias depois fui convidado por um empresário para jantar com ele e a sua família na sua casa num condomínio protegido em São Paulo. Em outra ocasião, convidaram-me à uma festa para o aniversário da filha dum político…

Ai, que contrastes!

Lembro-me do que disse um dos empresários que encontrei. Disse: “se nos déssemos mais para os pobres, nós seríamos pobres e os pobres também”.  

Esse tipo de contrastes resulta em instabilidade e violência. Reduz a qualidade de vida de todos os brasileiros. Aumenta o sentimento de insegurança.

O Brasil e o resto do mundo precisam de valores reais e fortes

Cada homem ou mulher – com uma mentalidade e uma atitude normais – querem praticamente a mesma coisa, não importa o lugar do mundo onde vivem.

Eles querem que as suas necessidades básicas sejam cumpridas. Querem ter um bom trabalho para ganhar a vida. Um trabalho onde sejam tratados de forma justa e honesta.

Eles querem viver uma vida aceitável. Querem ter um teto sob o qual se abrigar. Querem ter comida e água suficientes. Querem ser capazes de enviar os seus filhos à escola. Querem ter cuidados médicos quando estão doentes…

Eles querem ser felizes junto com os seus familiares e amigos. Em um ambiente sem ameaças, sem conflitos e sem guerras. Um ambiente onde eles se sintam em casa. Onde eles sejam respeitados e onde possam respeitar as outras pessoas também.

Um ambiente onde as pessoas não sejam julgadas na base da sua origem, dos seus bens materiais, das suas riquezas, da sua cor … Em suma, um ambiente onde eles não se sintam excluídas.

Falta de valores

A falta de humanidade ou valores humanos é a principal razão por trás de um monte de problemas no mundo: a instabilidade social e caos, conflitos, guerras, violência, mudanças climáticas, degradação da Natureza …

A humanidade ou ser humano implica respeitar os valores humanos básicos, tais como a honestidade, a justiça, a não-violência, o respeito pelas pessoas, o respeito pela Natureza, a equidade, a solidariedade …

Esses valores são agora muitas vezes negligenciados e violados. Por pessoas, por empresas e por países. Aberta ou veladamente.

Fortalecimento desses valores

O fortalecimento desses valores nos níveis local, nacional e internacional deve tornar-se uma prioridade para todos aqueles que querem que as coisas realmente mudem para melhor.

Fortalecendo esses valores, a injustiça social seria reduzida e o abuso de tantas pessoas por países, empresas e outras pessoas também.

Para encontrar ideias sobre como promover os valores humanos e conhecer vários projetos com base neles, visite www.cleanthisworld.org e www.globalpeacecharter.org.

Em quem votar em futuras eleições?

O ideal seria que os candidatos às eleições entendessem que unindo suas forças para implementar um grande projeto de humanização no Brasil, fariam avançar o país para um futuro melhor para todos. Vale para muitos outros países também.

O Brasil e sua gente têm tantos aspectos positivos que têm de se fortalecer.

Aumentar as divisões ainda mais não é o caminho a seguir.

Saudades,

Pedro

Danellândia
O mundo dos valores reais
O mundo da Paz

SOBRE DANELLÂNDIA

Danellândia foi criado em 28 de março de 2004. Baseia-se em discussões sobre esse mundo e os seus problemas com pessoas de diferentes países, culturas, religiões e idades. 

Danellândia definiu 25 valores humanos como base da sua campanha para fazer esse mundo melhor e mais justo.

Danellândia promove esses valores em muitos campos de atividade humana: a política, a economia, as relações pessoais, os cuidados da Natureza…

Você pode ajudar compartilhando esse site.

Torne-se danellandiano ou amigo da Paz promovendo esses valores e a paz.

Esse mundo precisa de pessoas e de líderes que valorizem mais a humanidade do que o dinheiro e o poder. Pessoas e líderes que unam em vez de dividir e criar tensões e conflitos.

Os valores humanos fortes são o passaporte para um futuro sustentável.

O mundo da Paz é possível!

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